OS NEGROS NO BRASIL
A história da capoeira está intimamente ligada à história dos negros no Brasil. Quando os europeus aqui chegaram, necessitaram encontrar mão-de-obra barata para a exploração das terras. Os indígenas, de imediato capturados, reagiram à escravidão e não suportaram os maus-tratos a que foram submetidos. Os colonizadores precisaram, então, buscar nova mão-de-obra escrava, e para isso trouxeram negros da África.
De acordo com os pesquisadores Arnt e Banalume Neto (1995, p. 36),
Os escravos eram vendidos por chefes de tribos inimigas ou
como em Angola, os próprios portugueses invadiam o
interior seqüestrando o que chamavam de ‘peças da Índia’.
Petta (1996, p. 51), em seu artigo O jeito brasileiro de ir à luta, comenta:
estudiosos afirmam que por volta de 1550 é que os primeiros escravos
africanos começaram a desembarcar no Brasil, oriundos de
diferentes tribos, trazendo seus costumes, suas culturas.
Já Oliveira (1989, p. 21), também conhecido por Mestre Bola Sete, em seu livro A Capoeira Angola na Bahia, afirma que
Os primeiros escravos africanos a chegarem no Brasil e os que vieram em
maior número foram os negros bantos, eram naturais de Angola.
OS ESCRAVOS E A CAPOEIRA
Sobre a verdadeira origem da capoeira, muitas são as divergências existentes entre os pesquisadores.
Um dos motivos que contribuiu para dificultar o conhecimento sobre a origem da capoeira é salientado por Mello (1996, p. 29), que afirmou:
Ruy Barbosa, quando ministro da
Fazenda, com o argumento de apagar a
história negra da escravidão, mandou
incinerar uma vasta documentação
relativa a esse período.
Para alguns autores, estudiosos do assunto, a capoeira foi uma invenção do negro na África, onde existia como forma de dança ritualística. Mais tarde, com o processo do colonialismo brasileiro e com a chegada dos negros escravos originários da África, aqui a capoeira apareceu como forma de defesa pessoal dos escravos contra seus opressores do engenho (SANTOS, 1990, p. 19).
Na visão de Pastinha (1988, p. 26): “Não há dúvida que a capoeira veio para o Brasil com os escravos africanos”. Para Marinho (1956) não existem dúvidas de que a capoeira foi trazida para o Brasil pelos negros africanos bantos procedentes, principalmente, de Angola.
Para outros pesquisadores, estudiosos da cultura afro-brasileira, africana e historiadores, a capoeira surgiu no Brasil por um processo de aculturação em prol da liberdade humana da raça negra escravizada pelos dominantes da época do Brasil colonial (SANTOS, 1990, p. 19).
Para Areias (1983), como os escravos africanos não possuíam armas para se defender dos inimigos, - os feitores, os senhores de engenho -, movidos pelo instinto natural de preservação da vida, descobriram em si mesmos a sua arma, a arte de bater com o corpo, à semelhança das brigas dos animais, suas marradas, coices, saltos e botes. Aproveitaram ainda suas manifestações culturais trazidas da África, suas danças, cantigas e movimentos. Dessa forma nasceu o que hoje chamamos de capoeira.
OS ESTILOS DE CAPOEIRA
Capoeira (1985) menciona que existem vários estilos de capoeira, mas os únicos de fundamento são a tradicional angola e a regional de Bimba.
Capoeira Angola Capoeira (1998) diz que na Academia de Pastinha se praticava o estilo tradicional, denominado Capoeira Angola.
Em seu livro Capoeira Angola, Pastinha (1988, p. 27) asseverou:
O nome Capoeira Angola é
conseqüência de terem sido os escravos
angolanos, na Bahia, os que mais se
destacaram na sua prática.
Pastinha (1988, p. 28) acrescenta ainda que:
A Capoeira Angola se assemelha a
uma graciosa dança onde a ‘ginga’
maliciosa mostra a extraordinária
flexibilidade dos capoeiristas. Mas,
Capoeira Angola é, antes de tudo,
luta e luta violenta.
Oliveira (1989, p. 179), em seu livro A Capoeira Angola na Bahia, afirma:
O mestre angoleiro procura passar para
o seu discípulo o culto aos rituais e
preceitos existentes na capoeira angola
e ao mesmo tempo prepará-lo para
defender-se sem interferir no seu
potencial de criatividade, dotando-o de
uma grande dose de malícia, baseada na
calma e na velocidade.
Capoeira Regional
Almeida (1994) fez constar que Bimba aproveitou-se de uma antiga luta existente na Bahia, chamada ‘Batuque’ - da qual seu pai era campeão -, da capoeira e do seu gênio criativo para criar um novo estilo a que chamou de Capoeira Regional.
Bimba disse no livro, A Saga de Mestre Bimba, de Almeida (1994, p. 17):
Em 1928 eu criei, completa, a
Regional, que é o Batuque misturado
com a Angola, com mais golpes, uma
verdadeira luta, boa para o físico e para
a mente.
Sobre a criação da Capoeira Regional, Vieira (1998, p. 1) afirma:
Quando a Regional surgiu, já existia
uma tradição consolidada na capoeira,
principalmente nas rodas de rua do Rio
de Janeiro e da Bahia.
Capoeira (1998, p. 52) ressalta que Com a academia de Bimba começa uma nova época: a capoeira vai atrair a classe média e a burguesia de Salvador.
Antes disto, a capoeira (na Bahia) era praticada exclusivamente pelos africanos e seus descendentes, ou seja: as classes economicamente pobres.
Para Capoeira (1998, p. 52),
O método de ensino, os novos golpes e
a nova mentalidade, somados ao fato de
a maioria dos alunos de Bimba
pertencer à classe média, com outros
valores, fez com que a regional de
Bimba se diferenciasse muito da
capoeira tradicional.
OS MESTRES DA CAPOEIRA
Mestre Pastinha
Vicente Ferreira Pastinha, conhecido como Mestre Pastinha, nasceu no dia 5 de abril de 1889, na cidade do Salvador. Oliveira (1989, p.32) informa que Pastinha era filho do espanhol José Señor Pastinha e de uma negra baiana chamada Raimunda dos Santos.
Sobre o aprendizado de Mestre Pastinha, Capoeira (1998, p. 54) disse que foi iniciado, ainda menino, por um negro de Angola chamado Benedito,que constantemente via o menino apanhar de um garoto mais velho.
Capoeira (1998, p. 55) afirma:
Pastinha abriu sua academia alguns
anos depois da de Bimba, e lá praticava
o estilo tradicional que, para diferenciar
da regional, ele passou a chamar de Capoeira Angola.
Oliveira (1989, p. 32) disse que Mestre Pastinha “foi considerado pelos mestres mais
famosos de sua época, o mais perfeito lutador de capoeira Angola da Bahia”.
Mestre Bimba
Manoel dos Reis Machado, conhecido como Mestre Bimba, nasceu aos 23 de novembro de
1900, no bairro de Engenho Velho, Freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia.
Almeida (1994, p. 15) conta que,
Aos 12 anos de idade, Bimba, o caçula
de D. Martinha, iniciou-se na capoeira,
na Estrada das Boiadas, hoje grande
bairro negro Liberdade. Seu mestre foi
o africano Bentinho, Capitão da
Companhia de Navegação Bahiana.
Almeida (1994, p. 16) relata que após algum tempo na capoeiragem, Bimba:
começou a sentir que a capoeira, que
ele praticava e ensinou por bom tempo,
tinha se folclorizado, [...], que a
utilizavam para exibições em praça e,
por ter eliminado seu movimentos
fortes, mortais, deixava muito a desejar
em termos de luta.
Capoeira (1985, p. 48) afirma que:
Manoel dos Reis Machado [...] foi um
dos maiores capoeiristas de seu tempo.
Excelente jogador, lutador perigoso,
excepcional e criativo tocador de
berimbau, cantor de mão cheia, era
homem de personalidade forte e
marcante.
Capoeira (1985, p. 48), conta que Bimba Abandonou as rodas de capoeira angola de sua época e abriu sua academia por volta de 1930 e passou a ensinar a sua modalidade de capoeira que foi chamada de ‘regional’.
Vieira (1998, p. 2) disse que, com o aparecimento de Mestre Bimba, iniciou-se a divisão do universo da capoeira em duas partes, em que uns se voltaram para a preservação das tradições e outros procuraram desenvolver uma capoeira mais rápida e direcionada para o combate.
Sequência de aprendizagem dos Movimentos do Mestre Bimba
ELEMENTOS RITMICOS DA CAPOEIRA
Instrumentos
A capoeira, sabe-se, é a única luta brasileira que utiliza instrumentos musicais. As rodas de
capoeira são ritmadas pelo toque de instrumentos e pelas palmas dos capoeiristas.
Segundo Rego (1968, p. 70), o acompanhamento musical da capoeira, desde os primórdios até nossos dias, “já foi feito pelo berimbau, pandeiro, adufe, atabaque, ganzá ou reco-reco, caxixi e agogô”.
Mestre Pastinha (1988, p. 36) afirma: “os instrumentos que compõem o conjunto são: berimbau, pandeiro, reco-reco, agogô, atabaque e chocalho”.
FONTE: FONTOURA. Adriana R. R. GUIMARÃES. Adriana C. de A. HISTÓRIA DA CAPOEIRA.
Disponível em: eduem.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/download/.../2553