Karate Do
Entende-se como Karate-Do a prática complementar de formação cultural e desportiva baseada no desenvolvimento peculiar dos sistemas de defesa pessoal e evolução interior característicos de Okinawa em seus primórdios (século XVIII) e do Japão a partir do início do século XX.
Karate é uma palavra japonesa que significa "mãos vazias". É uma arte altamente científica, fazendo o mais eficaz uso de todas as partes do corpo para fins de auto-defesa. O maior objetivo do karate é a perfeição do caráter, através de árduo treinamento e rigorosa disciplina da mente e do corpo. O karate-ka (cultor de karate-do) utiliza como armas as mãos, os braços, as pernas, os pés, enfim, qualquer parte do corpo.
Além de ser um excelente meio de auto-defesa, o karate também é um meio ideal de exercício. Ele desenvolve a força, a velocidade, a coordenação motora,o condicionamento físico e é reconhecido também por seus valores terapêuticos.
O combate desarmado nasceu antes da história escrita, mas as origens mais remotas são obscuras, muitas vezes encobertas pelo folclore de uma variedade de culturas do mundo.
Várias formas de combate desarmado eram praticadas na Índia, na China, em Formosa e em Okinawa, uma ilha ao sul do Japão. Em Okinawa, as lutas desarmadas foram desenvolvidas em segredo durante muito tempo, devido à influência dos fidalgos japoneses que conquistaram a ilha, proibindo os seus súditos de carregarem armas. Esta proibição de andarem armados obrigou muitas pessoas a praticar formas de combate sem armas, em segredo.
O karate moderno nasceu na época em que o finado Mestre Gichin Funakoshi (1868-1957), então líder da Sociedade Okinawa de Artes Marciais, foi solicitado pelo Ministério da Educação do Japão, em maio de 1922 a conduzir apresentações de karate em Tóquio. A nova arte foi recebida entusiasticamente e foi introduzida em várias universidades, onde criou raízes e começou a florescer.
Devido ao fato do karate ter sido praticado secretamente no passado, um grande número de escolas e estilos (Ryus) foram desenvolvidos. Hoje existem inúmeras escolas no Japão, sendo as mais destacadas: Shotokan, Goju-Ryu, Shito-Ryu e Wado-Ryu, todas com ramificações pelo mundo afora.
O karate esportivo
Nos últimos anos, foram formuladas regras de combate simulado para se evitar ferimentos graves, com o propósito de introduzir o karate como um esporte competitivo. O karate de torneio é um jogo de reflexos que exige "timing", velocidade, técnica, estratégia, camaradagem e controle, onde prevalecem HONRA, LEALDADE e SENSO DE COMPROMISSO.
Durante os torneios, todos os golpes, embora fortemente focalizados, devem ser controlados precisamente antes do contato. Embora seja muito excitante de assistir, o torneio de karate é considerado, pela maioria dos mestres, como um degrau e não como o objetivo principal no desenvolvimento do karate-ka.
Nos anos 50, as universidades no Japão começaram a promover competições de karate. O 1º Campeonato Mundial de Karate foi realizado em 1970 em Tóquio,Japão, com a participação de 33 países e, desde então, cada campeonato mundial tem sido promovido de dois em dois anos. Em 2002, o 16º Campeonato Mundial realizado em Madri/Espanha teve a participação de 84 paises.
O karate tem se espalhado rapidamente, não apenas entre as gerações mais novas como um esporte para melhorar a força, mas tem se tornado um meio popular de exercício para homens e mulheres de meia-idade para manter a forma. Um número crescente de academias de karate tem aberto e mantido turmas para crianças.
Organização do Karate mundial
Devido a popularidade global do karate como esporte, a formação de uma federação internacional de karate tornou-se necessária. Em 1970, a União Mundial das Organizações de Karate (WUKO) foi criada. Desde então, todos os esforços têm sido feitos para incluir o karate nos Jogos Olímpicos – o maior símbolo das realizações do homem no campo desportivo. No dia 06 de junho de 1985, a WUKO foi oficialmente reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Em 1993, na Argélia, para adaptar-se às regras do Comitê Olímpico Internacional, a Federation Mondiale de Karate (FMK), também conhecida como World Karate Federation (WKF), absorveu a antiga WUKO, fato este que trouxe um desenvolvimento direcionado à promoção do karate mundial. No dia 18 de Março de 1999 o COI em sua 109º sessão (Seul) ( certificado do COI ) confirmou o reconhecimento em caráter definitivo da FMK/WKF, de acordo com o artigo 29 da carta Olímpica, como a federação mundial dirigente da modalidade karate.
Além da intenção de incluir o karate nos Jogos Olímpicos, o objetivo da WKF é de unificar todas as organizações que pratiquem karate, como esporte ou como uma arte tradicional, além de lutar também para promover ligações dentro de um espírito de amizade entre os karatecas do mundo. A WKF representa o karate mundial e coordena todas as atividades de karate ao redor do mundo, estabelece regras técnicas e operacionais, organiza e controla reuniões internacionais e toma as decisões sobre vários assuntos que possam surgir entre os membros.
Fonte: CBK - Confederação Brasileira de Karate
Elementos Técnicos
Em termos pedagógicos os elementos técnicos no karate foram divididos em Saudação, Fundamentos (kihon), Forma (kata), Luta (Kumite)
1. Saudação
A saudação pode ser considerada uma demonstração de cortesia. É realizada no início e no final da aula de frente para o Shomen (forma de agradecimento àqueles que desenvolveram a arte). A saudação pode ser realizada de duas formas:
RITSU REI – cumprimento em pé;
ZAREI – cumprimento sentado (SEIZA).
No karate, a saudação em pé (ritsu rei) ocorre em algumas situações:
– Quando entramos ou saímos do dojo;
– Ao entrar ou sair do dojo;
– No início e final de um combate;
– No início e final da aula;
– No início e final de um kata;
– No início e final de um exercício com um companheiro.
Além de demonstração de respeito, a saudação é um importante instrumento para garantir a segurança dos procedimentos, por demarcar o início e término das atividades.
2. Fundamentos (kihon)
A prática do Kihon constitui o treinamento dos fundamentos, de acordo com as técnicas básicas fundamentais de cada estilo (Santos, 2008).
Para melhor compreensão, os fundamentos (kihon) foram divididos em três grandes grupos: técnicas de ataque (tori waza), técnicas de defesa (uke waza) e técnicas de base (dachi waza) e listados conforme classificação de Kanazawa (2010). Apesar de existirem variadas técnicas de kihon, serão apresentados aqui as técnicas mais freqüentes e populares utilizadas em competição.
3. As formas (kata)
Kata pode ser definido como uma série de técnicas ofensivas e defensivas, realizada individualmente contra vários adversários imaginários (Kanazawa, 2010), simulando movimentos formais e estilizados, executados numa sequência pré-determinada de ataques e defesas (Nakayama, 2003). As técnicas que compõe o Kata foram passadas de geração em geração, de professor para aluno, sendo considerada a principal forma de manutenção das tradições do Karate. Para uma boa execução de um Kata é necessário o uso correto das técnicas, a aplicação ideal da força, controle da respiração e de várias habilidades coordenativas (Torres e Bueno, n.d.).
Os katas auxiliam o iniciante a assimilar o estilo e aprender as técnicas básicas de movimentação, defesa e ataque. Para o aluno avançado, os kata são um confronto com as ideias dos antigos mestres, por meio do qual os atuais praticantes entendem os segredos da arte que só são aprendidos mediante prática exaustiva e não oralmente.
Os katas são definidos conforme os estilos de karate (Torres e Bueno, n.d.):
– Estilo Shotokan: O conjunto de katas no estilo shotokan conta ao todo com 26.
– Estilo Goju ryu: são 23 katas
– Wado-ryu: são 15 katas no total
– Shitoryu: é o estilo que apresenta o maior número de katas. Eles podem ser divididos conforme a sua região de origem e mestre. No total são 57 katas.
4. A Luta (kumite)
O kumite pode ser definido como a luta propriamente dita. Pode ser considerado um método de treinamento em que se aplicam técnicas de ataque e defesa aprendidas anteriormente no kata (forma) e kihon (fundamentos) (Nakayama, 2003).
Para a classificação, Nakayama (2003) sugere que seriam três formas de kumite: básico, jiyu ippon kumite e jiyu kumite.
O kumite básico é caracterizado pelo fato de ser combinado. O atacante avisa a altura ou o tipo de golpe que será realizado, pode ser dividido em:
luta de cinco passos (gohon kumite), luta de três passos (sambon kumite) e luta com um golpe (ippon kumite) (Nakayama, 2003).
– Ippon kumite: um movimento, tendo por objetivo criar no praticante a ideia de vencer com um golpe único. Para isso é necessário o desenvolvimento de habilidades acessórias, como observação, para análise das situações. A noção de espaço e tempo (maai em japonês) se torna fator preponderante, bem como o conhecimento real do próprio corpo e de seus limites físicos e mentais.
– Sanbon kumite: três movimentos, tendo por objetivo aumentar a agilidade de quem ataca e de quem defende. Deve ser executado com a máxima intensidade e velocidade de movimentos, pois só assim o controle necessário ao domínio das técnicas utilizadas poderá ser alcançado. O corpo deverá trabalhar como uma unidade que se desloca pela área de combate.
– Gohon kumite: cinco movimentos, cujo escopo é fortalecer o vigor dos praticantes através de sequências de ataca e defesa. O gohon kumite deve ser praticado até a exaustão, procurando realizar cada movimento com a maior precisão e fidelidade possível.
O jyu ippon kumite é uma luta semi livre com um único golpe, tendo por objetivo favorecer o desenvolvimento de vivências corporais nas situações de luta real e assim preparar o corpo e a mente para as mesmas (Kanazawa, 2010).
O jiyu kumite é o combate livre, sem regras, com o uso livre de todo o tipo de técnica, tanto de braços como de pernas, luxações, projeções, estrangulamentos, etc. Todavia, os praticantes devem ter em mente o respeito para com o colega e não procurar um golpe realmente traumatizante, pois a finalidade é desenvolver a arte marcial e não vencer o outro (Kanazawa, 2010).
Além da classificação sugerida por Nakayama (2003) ainda existe o shiai kumite (luta de competição). As regras dependem da Entidade Esportiva que rege o evento. Apesar de existirem diversas Entidades Esportivas com regras diferentes, neste trabalho serão abordadas as regras dos sistemas World Karate of Federation (WKF), World Union of Karate-do Federations (WUKF) e International Traditional Karate Federation (ITKF). Regras de outras Entidades Esportivas podem ser visualidas em seus respectivos sites.
Apesar do tempo de luta ser similar entre federações, verifica-se que devido às diferentes pontuações, possivelmente ocorram diferenças na caracterização de quantidade e qualidade de golpes (Urbinati et al., 2011). O kumite pode ser caracterizado por movimentos acíclicos, com a combinação de seqüências curtas de ataque e defesa, interrompidos por períodos
de recuperação (Ravier et al., 2009; Iide et al., 2008; Invernizzi et al., 2008). A modelação do kumitê consiste em deslocamentos, rotações, saltos, e ações técnico-taticas preparatórias de outras ações, como: ações ofensivas de membros superiores e inferiores, com golpes diretos, cruzados ou circulares, bem como bloqueios e esquivas (Santos, 2008).
Além das ações técnico-táticas o kumitê é constituído por domínio das capacidades físicas como aeróbia e anaeróbia, força, potência, velocidade de reação e tomada de decisão (Santos, 2008; Doria et al., 2009).