HISTÓRICO
Segundo o autor Stanley Virgílio (1986), em seu livro A Arte do
Judô, "os primeiros indícios da utilização pelo homem de algumas
formas primitivas de luta individual e sem arma datam de três mil a.C.".
Mas conforme afirma o autor Luiz Robert (1976), no livro O Judô,
"não se falava ainda em desporto. Em todas as regiões do globo, cada povo
possuía um método de luta mais ou menos elaborado, que ia melhorando mediante o
progresso das civilizações".
O Japão durante vários séculos viveu isolado do resto do mundo.
Sua cultura foi profundamente modificada devido às constantes invasões
chinesas, além do regime feudal que foi imposto a seu povo.Nesse isolamento, as técnicas de luta, de ataque e defesa, com
armas ou a mão livre cresceram lentamente.Porém, eram guardadas em segredo.
Poucas escolas escreviam seus ensinamentos. A transmissão era quase sempre
oral, prolongando-se dessa forma até o fim do regime feudal (1867).
Durante o período de 1867 / 1912, regime do imperador Mutsu-Hito,
o Japão passou por um grande período de ocidentalização, denominado Era Meiji,
com a introdução das artes, ciências e técnicas européias. Com isso, tudo o que
se referia ao antigo regime foi deixado de lado, inclusive as artes marciais.
Somente os samurais resistiram. Os demais mestres da época, ou especialistas em
jiu-jitsu, sentiram necessidade de abrir academias e/ou ensinar suas técnicas
no exército.
Com isso começa a surgir a rivalidade e a despreocupação com o
espírito cavalheiresco, a harmonia e o equilíbrio físico, técnico e moral das
artes marciais. Aquela forma de luta tradicional japonesa praticamente
desapareceu.O jiu-jitsu passou a ser a técnica de ataque e defesa que contou
com o maior número de seguidores. Porém, mesmo com uma indiscutível eficiência
no campo da defesa pessoal, o antigo jiu-jitsu não poderia ser considerado um
esporte, muito menos ser praticado como tal. Não havia regras traçadas
pedagogicamente e nem mesmo padronizadas, imperava o espírito vencer ou morrer,
lutar até a morte (shin-ken-shobu).Com isso, o antigo jiu-jitsu gozava de uma
certa impopularidade entre as pessoas mais esclarecidas.
Começa então a surgir dentro do Japão uma necessidade de resgatar
as origens e tradições de suas lutas. Em 1881, Jigoro Kano, grande estudioso e
conhecedor das artes marciais, sintetiza ensinamentos de diversas escolas,
criando um método próprio de educação do físico e da mente e funda sua própria
escola, a Kodokan, primeiro instituto de divulgação do judô no mundo. Essa
síntese é produto da seleção das melhores técnicas do jiu-jitsu e dos golpes
mais eficazes e racionais. Foram aperfeiçoadas as maneiras de cair e criados os
princípios das quedas amortecidas (ukemis). Também foi criada uma vestimenta
especial, o judogui, além de ser dispensada uma dedicação especial aos métodos
de projeção.
O objetivo era a criação de um método de luta mais intuitiva, mais
segura, e da qual todos pudessem usufruir, crianças, adultos e até as pessoas
de idades mais avançadas. Além de descobrir uma forma racional de utilização da
energia humana. Essa nova forma foi então chamada de judô. Gradativamente o judô foi sendo aperfeiçoado, pois algumas de suas
técnicas ainda estavam um pouco falhas, e era necessário que todo o judoca
conhecesse o desenvolvimento da luta no solo e em pé.
O judô então estabeleceu-se definitivamente nos costumes do povo
japonês, passando a ser ensinado oficialmente nas escolas de 1º e 2º graus. Foi
organizada uma pedagogia do judô: o go-kio e seus fundamentos: os katas. Com o
judô estabelecido em seu país de origem e a Kodokan crescendo consideravelmente
era hora de começar a difundir o judô pelo mundo.
Segundo Luiz Robert (1976), antes da Segunda Guerra Mundial os
E.U.A. já contavam com cerca de 30 academias de Judô, sendo enviados
regularmente estagiários à Kodokan.
Stanley Virgílio ( 1986 ), por sua vez, afirma que no início da
década de 30, já eram por volta de 50 as academias de judô na América. Na
Europa, o processo foi mais lento. Porém, ainda segundo Virgílio, por volta de
1940/1945 a consolidação do judô na Europa já começava a ser evidente, tendo na
Grã-Bretanha e na França seus primeiros adeptos.
Começa então a expansão definitiva do judô. Livros técnicos e
textos da Kodokan começam a ser traduzidos e publicados. Diversos países
começam a organizar federações próprias. Surgem os primeiros campeonatos: 1951
na França (1º Campeonato na Europa), 1956 em Tóquio e 1961 em Paris (Campeonato
Mundial).
Em 1964 na Olimpíada de Tóquio, o judô figurava pela primeira vez,
em caráter demosntrativo. Já em 1972, na Olimpíada de Munique, o judô assume
definitivamente seu papel de desporto olímpico, com representantes de
praticamente todos os países do mundo.
Quanto à implantação do judô no Brasil, há divergências referentes
às datas. Segundo a Confederação Brasileira de Judô (1986), o judô teria
chegado ao nosso país por volta de 1922, com o professor Mitsuyo Maeda.
Maeda percorreu várias capitais brasileiras e teve na família
Gracie seus primeiros seguidores. Estes porém, voltaram-se exclusivamente para
a luta no solo, o então chamado jiu-jitsu (Virgílio, 1986). O mestre Massao Shinohara (1982), considera que a chegada do judô
ao Brasil deu-se aproximadamente em 1908, com o advento da imigração. Já o mestre Kwanichi Takeshita (s.d.), afirma ter sido por volta
dos anos vinte que o judô foi introduzido em nosso país. Temos ainda o relato de Stanley Virgílio (1986) que afirma ter
sido por volta de 1934, com a chegada ao Brasil do mestre Ryuzo Ogawa, que
ocorreu a expansão definitiva do judô no país. Desde então, houve a separação
definitiva entre o judô e o jiu-jitsu, com cada um sendo ensinado em academias
distintas.
O judô vem então sendo praticado regularmente em todo país, com a
realização anual de Campeonatos Brasileiros e com a participação de nossos
atletas em todos os campeonatos internacionais e em todas as Olimpíadas, desde
a de Tóquio.
Fonte:www.judorio.org.br/fique_ligado/historico/hist_judo_mundo.doc
GOLPES
GRADUAÇÃO
No Brasil, as graduações do judô são feitas através das cores das faixas, que são amarradas no quimono (espécie de roupão usado pelos judocas). São elas (de menor nível para o maior): branca, cinza, azul, amarela, laranja, verde, roxa, marrom, preta - 1º Dan, preta - 2º Dan, Preta - 3º Dan, preta - 4º Dan, preta - 5º Dan, Vermelha e Branca - 6º Dan, vermelha e Branca - 7º Dan, vermelha e Branca - 8º Dan, vermelha - 9º Dan, Vermelha 10º Dan.
REGRAS
As lutas de judô são praticadas num tatame de formato quadrado (de 14 a 16 metros de lado). Cada luta dura até 5 minutos. Vence quem conquistar o ippon primeiro. Se ao final da luta nenhum judoca conseguir o ippon, vence aquele que tiver mais vantagens.
Ippon: o objetivo do judô é conquistar o ippon (ponto completo). O ippon é conquistado quando um judoca consegue derrubar o adversário, imobilizando-o, com as costas ou ombros no chão durante 30 segundos. Quando o ippon é concretizado o combate se encerra.
Wazari: Outra forma de conquistar o ippon é através da obtenção de dois wazari, que valem meio ponto (vantagem). O wazari é um ippon que foi aplicado de forma incompleta, ou seja, o adversário cai sem ficar com os dois ombros no tatame.
Yuko: Quando o adversário vai ao solo de lado. Cada Yuko vale um terço de ponto.
Koka: menor pontuação do judô. Vale um quarto de ponto. Ocorre quando o adversário cai sentado. Quatro kokas não gera o final da luta, embora ele seja cumulativo.